Redes sociais e jornalismo: aplicando a engenharia reversa na imprensa

A função jornalística como estrutura básica de uma sociedade desenvolvida, apesar de questionada por muitos e alvo central para tantos outros, tem visto seu modus operandi mudar e se solidificar drasticamente nos últimos tempos. Muda a maneira como produzimos e oferecemos conteúdo jornalístico e se solidifica a premissa de que o jornalismo não trocou seus princípios, apenas os adaptou para o contexto atual.

O mobile já toma conta de grande parte das atenções das redações. Como produzir para um público consumidor de conteúdo sempre online e móvel? O chamado online impactou drasticamente como o jornalismo enxerga seu produto ser adquirido e compartilhado. Não mais podemos pensar única e exclusivamente de forma vertical ou horizontal. O processo de criação jornalística deve ser exercido de forma reversa, na visão e posição do público final.

O que isso significa? Aplicamos – com as redes sociais digitais conectadas em rede mais a possibilidade de estar o tempo todo online – o sistema de engenharia reversa no jornalismo digital. A criação de um conteúdo noticioso deve ser formulada e estruturada não mais apenas com boas pautas e fontes, mas sim, de uma forma que seja possível identificar como o usuário digital irá receber, encontrar, compartilhar, avaliar, criticar e, acima de tudo, modificar nossa mensagem, analisando contexto, tempo e cenário.

Um olhar mais próximo da sociedade

A notícia que antes era produzida muitas vezes com um único olhar – levando em conta apenas o contexto das redações – agora passa a ter que identificar como será seu impacto no público final, sendo capaz de prever reações negativas, crises institucionais e, com isso, alterar o curso da notícia ainda na fase de criação. Obviamente com exceção de ensaios e artigos puramente provocadores e críticos, a notícia meramente informativa deve tomar novos rumos que vão desde como o leitor irá recebê-la, compartilha-la, até mesmo como esse movimento vai participar da elaboração jornalística.

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Sim, a engenharia reversa na produção de uma notícia ainda deverá contar com a participação do seu público final antes mesmo da notícia existir. Alias, será esse segmento grande responsável por conduzir a imprensa a ter um olhar mais próximo da sociedade, tentando analisar os fatos não como mero observador, mas sim, como ator ativo daquele determinado tempo e espaço, transformando de uma vez por todas como o jornalismo é feito, consumidor e, principalmente, visto.

Ton Torres

Jornalista e blogueiro. Mestre em Divulgação Científica e Cultural (MDCC) pela Unicamp. Pós-graduado em Tecnologia, Formação de Professores e Sociedade pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e pós-graduado em Jornalismo Científico (Unicamp).

0 thoughts to “Redes sociais e jornalismo: aplicando a engenharia reversa na imprensa”

  1. A princípio me parece meio complexo entender essa "fórmula" proposta pela engenharia reversa, mas ao analisar melhor, as coisas ficaram mais claras. A proximidade do público propiciada por essas plataformas digitais realmente permite que possamos identificar o impacto causado pelo conteúdo produzido por nós. Desse modo todos têm a ganhar com conteúdo adequado aos novos formatos e tendências que vem surgindo no que diz respeito ao consumo de notícias. Belo artigo, valeu!

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