A orkutização do meu querido Facebook e os meus casos de amor

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A orkutização do meu querido Facebook e os meus casos de amorDemorei muito para deixar o Facebook entrar na minha vida. O apego que o Orkut exercia sobre minha relação com a internet era um caso de amor para mais de cem anos. Ilusão minha. Logo veio o Google inserindo mudanças drásticas na minha queridinha rede social e isso aos poucos foi atingindo o meu caso de paixão aguda com o Orkut. Seria o fim.

Um dia olhei para a página de recados do meu Orkut e vi que dos 10 scraps, 5 eram links possuídos por vírus e os outros 5 não diziam nada, além de piscar cheios de glitter com mensagens de “bom dia”. Então eu prometi a mim mesma que estreitaria meus laços com esse tal Facebook, aquele mundo desconhecido com um mar vasto a navegar.

Só cheguei ao Facebook em 2010. A estranheza foi inevitável, mas logo fui afeiçoando àquela ferramenta cheia de oportunidades de conhecer novas pessoas, de “curtir” o que era postado, comentar, compartilhar e interagir de uma forma como eu nunca vi em parte alguma na rede mundial de computadores. Não demorou muito, logo caí de amores pelo “Face”. Lá estava eu mais uma vez apaixonada por uma rede social.

Assim como eu, várias pessoas começaram a se sentir incomodadas com o comportamento dos internautas no Orkut. Isso leva a refletir e a se perguntar por que o Orkut virou aquele mundo com tão pouco conteúdo aproveitável. Falo por mim, pois não consigo mais enxergar vida útil no meu Orkut que ainda continua lá por pura falta de disposição de salvar as mais de mil fotos postadas e por não querer migrar todas elas para o Facebook.

É claro que o Face superou o Orkut em número de visitantes e dos que ficam, é lógico. Em dezembro de 2011, o Facebook atraiu 36,1 milhões de visitantes únicos, o que representa 192% nos últimos 12 meses, contando de dezembro/2010 a dezembro/2011, enquanto o Orkut ficou com 34 milhões de visitas, acredito que só os que visitam mesmo e logo saem correndo com medo, assim como eu. Os dados são da comScore que só mostrou o que estamos vendo diariamente.

Estaria tudo perfeitamente bem se o Face não estivesse sendo invadido por pessoas com comportamentos orkutianos. Com as políticas de Mark Zuckerberg de aumentar o poder de você ser visto e ter a sua vida exposta na timeline, a interação entre os contatos aumentou significativamente e toma proporções numéricas grandiosas em compartilhamentos de imagens, texto, links e outros. O problema vem se instalando aí.

Fora os jogos, vídeos, montagens de imagens com piadinhas, comparações, links de todos os tipos, fotos bizarras e sensacionalistas, ainda temos que suportar as imagens que chocam, tal como a do feto abortado cheio de sangue que nos últimos três dias vem sendo compartilhada como se isso fosse a melhor das campanhas educativas e conscientizadoras do mundo. Deixam de lado o bom senso e trazem para o círculo de amizades aquilo que nem todo mundo quer ver, que se diga a maioria.

Tudo bem. Podemos evitar esse tipo de imagem desagradável cancelando a assinatura das atualizações de pessoas que compartilham isso, mas pergunto: que graça tem você fazer parte de uma rede social se vai precisar ficar o tempo todo evitando a socialização? Já cancelei várias assinaturas e percebo que todos os dias devo fazer isso, mas temo por acabar com um feed de notícias vazio, pois lamentavelmente o número de participantes que postam conteúdos relevantes é baixo.

Sinto que esse é mais um caso de amor que está balançado e caindo no mesmo buraco que já joguei o Orkut. E quando não restar mais nada? Vou para o Pinterest! E que seja eterno enquanto dure.

Trabalha em assessoria de comunicação, com gerenciamento de mídias sociais e conteúdo web; formada em rádio e TV (UFRN), formada em jornalismo (UFRN) e pós-graduada em propaganda e marketing na gestão de marcas (UFRN). Apaixonada por jornalismo literário, webjornalismo, cibercultura, comportamento digital e mídias sociais.

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