O jornalismo nas redes sociais e as eleições 2012

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O jornalismo nas redes sociais e as eleições 2012Está dada a largada para um novo tipo de cobertura jornalística de campanha eleitoral no Brasil. Ainda que as redes sociais tenham ganhado bastante relevância nas eleições de 2010, o impacto delas no jornalismo ficará mais visível neste ano. O principal indicativo dessa mudança foi a formalização da pré-candidatura de José Serra a prefeito de São Paulo pelo Twitter. No início da semana passada, o nome mais forte do PSDB para chefiar a capital econômica do país optou por usar a internet para anunciar sua decisão, após ter desconversado diversas vezes no offline qual seria seu destino político.

E, depois de tanto mistério, o que levou Serra a escolher a plataforma de microblogging para se lançar na corrida eleitoral? Simplesmente, a força da rede. O potencial de levar a notícia a todos os cantos conectados do país. Seus mais de 900 mil seguidores poderiam replicar a mensagem de modo quase instantâneo. Assim, não só São Paulo, mas o Brasil online estaria sintonizado no novo projeto político dele. Deu certo. Serra foi amplamente retuitado e, quinze minutos depois, todos os portais davam seus tuítes como destaque. Da web, foi para a TV e os jornais do dia seguinte.

Na mesma semana, a candidata preterida pelo PT para disputar as eleições de São Paulo deu sua destilada de veneno pelo Twitter. A senadora Marta Suplicy sugeriu ao partido e, indiretamente ao pré-candidato Fernando Haddad e seu padrinho, o ex-presidente Lula, reconhecer o erro pela tentativa de aliança com o atual prefeito da cidade, Gilberto Kassab, do PSD. É uma declaração que deixa a dúvida: Marta apoiará Haddad? Qual será o desdobramento da campanha do ex-ministro da Educação se não contar com o apoio daquela que era a mais bem colocada nas pesquisas eleitorais?

Noutros tempos, esses questionamentos seriam provocados em ocasiões bem definidas. Em coletivas, portarias de ministérios, gabinetes de parlamentares, salão verde do Congresso. Sempre com os jornalistas como mediadores número 1. Hoje, pela praticidade e pelo grau de penetração, políticos utilizam as redes sociais. Eles sabem que vão se comunicar com suas bases – os seguidores – e acabam gerando uma mudança na rotina produtiva da notícia.

O tuíte do candidato ou correligionário é um conteúdo que pode ter bastante consistência política. Pode servir como indicação de alianças, de propostas, de rupturas. Por isso mesmo, redações devem saber usar habilmente a tuitosfera e outras redes para não perder um bastidor, uma cena, um post.

Um regime de monitoramento de todos os (pré) candidatos das eleições que os jornalistas vão cobrir é imprescindível. Além disso, as timelines de figuras-chave ligadas aos candidatos, representantes de diretórios regionais de partidos e blogueiros do mainstream e alternativos são fontes de informação que devem ser consultadas sempre. Com um telefonema complementar ou – por quê não? – uma DM (direct message) para o candidato ou assessor, o jornalista pode apurar algo a mais, deixando a matéria mais completa.

Não há dúvidas de que, quando a campanha começar, em julho, as redes vão fervilhar ainda mais. É nelas que serão construídas e repercutidas as principais notícias das eleições de 2012.

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em mídias digitais pela University of Sussex, na Inglaterra. Especializou-se em públicos digitais, redes sociais e cultura participativa. Atualmente é chefe de reportagem no R7.

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