O preço da privacidade online

Social Media Week São Paulo disponibilizou a todos que tiveram oportunidade de assistir –  quer tenha sido pessoalmente, quer tenha sido virtualmente através da transmissão em tempo real fornecida pela Oi, patrocinadora do evento – um imenso universo de conteúdo extremamente relevante que certamente deixou a mente de muitos lá presentes borbulhando de novas ideias.
Dentre os vários assuntos discutidos pelos mais geniais profissionais de social media hoje atuantes no mercado brasileiro, vale destacar um assunto que merece grande atenção e que foi comentado pela fantástica Martha Gabriel: a privacidade online. Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelo setor de e-commerce reside justamente em vencer a sensação de insegurança que o fornecimento de dados importante como senhas e números de cartões de bancos causa nos usuários.
Durante o painel “O futuro das mídias sociais”, Martha citou a utilização das redes sociais por bandidos que rastreavam informações das pessoas para praticar roubos. O case mais popular é do site “Please Rob Me” que fornecia uma lista de residências vazias para facilitar a realização dos roubos. Além disso, a revista Galileu noticiou outro caso de utilização de informações disponíveis no Facebook na prática de crimes.
Volta e meia, contudo, estamos nos deparando com ações no Twitter como a do #lingerieday, em que os participantes concordavam em trocar seus avatares por fotos suas em trajes íntimos. Sem contar a utilização indiscriminada das “twitcams” (aplicativo para Twitter que possibilita o compartilhamento de imagens via webcam em tempo real) que é prática cada vez mais comum, principalmente entre os mais jovens, que se expõem das mais diversas formas e literalmente “para quem quiser ver”, buscando atrair mais audiência e seguidores.
E por que nas redes sociais a tendência é que as pessoas compartilhem cada vez mais informações relevantes – e mesmo íntimas – a seu respeito com pessoas desconhecidas e sobre as quais comumente não possuem qualquer informação confiável? A resposta pode estar na superexposição, que é cada vez mais a tendência do nosso século. Em um momento em que tudo é tão fácil e tão disponível, se você não é visto, realmente você não é lembrado. Se destacar em meio à multidão é difícil, especialmente quando a multidão foi multiplicada um sem número de vezes pela internet.
O online está cada vez mais indissociável do offline e as redes sociais são a grande prova disso. Nas redes sociais, assim como no “mundo real”, as pessoas querem se destacar, serem notadas, o que muitas vezes lhes custa um alto preço.
Uma matéria veiculada no final do ano passado na Info mostrou o resultado de uma pesquisa feita com jovens canadendes de 18 a 25 anos e apontou, entre outros resultados, que há relação positiva entre o nível de narcisismo dos usuários e a quantidade de acessos ao Facebook. Isso quer dizer que todos que acessam muito o Facebook são narcisistas? Não. Quer dizer que é cada vez maior a tendência que temos de nos expor. E isso não é privilégio do ambiente virtual (lembrem dos realities shows).
É evidente, no entanto, que o online nos abre uma série de novas possibilidades de exposição e a cada dia surgem novas ferramentas que ampliam esse universo. A geocalização tem se tornado a mais nova febre entre os jovens e o Foursquare – aplicativo que permite indicar aos seus amigos o local onde você está – tem criado novas formas de interação entre as pessoas e também entre os clientes e as empresas, que oferecem promoções e condições exclusivas para os usuários, com base nas interações do Foursquare.
O aplicativo tem funções interessantes e possibilita ao usuário acessar dicas de seus amigos sobre os lugares onde faz check-in e uma série de vantagens ao se tornar mayor (prefeito) do lugar, título conferido ao usuário que mais fez check-ins em determinado local.
Utilizar tudo – ou ao menos tudo o que for relevante pra nós – que a internet pode oferecer é totalmente positivo. Mas, é importante sempre estar atento ao tipo de informação que disponibilizamos no meio digital, afinal de contas, os nossos “rastros virtuais” podem ser facilmente encontrados por aí.
Se caminhamos para um momento onde é cada vez maior a integração entre o social e o digital, entre o online e o offline, é importante usar, sim, tudo de bom – e há muitas coisas – que a web 2.0 traz com ela, mas é importante também estar consciente dos riscos que ela oferece.

Por Carol Twy, estudante de psicologia, viciada em redes sociais e apaixonada pelas pessoas. Atua com gestão de mídias digitais. @CarolTwy

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